REGIÃO DO MORUMBI REGISTRA AUMENTO DE 33,3% NOS CASOS DE ROUBO EM 2014
FolhaPressCÉSAR ROSATISÃO PAULO, SP - Pessoas que trabalham ou moram na região do Morumbi, na zona oeste de São Paulo, dizem que estão com medo da nova onda de violência no bairro. Em menos de uma semana, cinco suspeitos de cometer diversos arrastões na região foram presos pela polícia. De acordo com os dados da Secretaria de Segurança Pública, de janeiro a agosto deste ano aconteceram ao menos 2.811 casos de roubo no bairro, uma alta de 33% na comparação com o mesmo período do ano passado. O total representa o número de assaltos registrados nas duas principais delegacias do Morumbi -34º DP e o 89º DP. Para as pessoas ouvidas pela Folha, a proximidade com favelas faz com que a incidência de assaltos aumente consideravelmente. Os entornos das avenidas Giovanni Gronchi, próximo a Paraisópolis, e Morumbi, na região da comunidade Real Parque são apontados como sendo os mais violentos. O manobrista Marcos de Sousa Tibério, 38, trabalha há cerca de três anos na avenida Morumbi. Ele disse ter sido vítima de um assalto em uma travessa da avenida Morumbi em meados de abril. "Trabalho aqui porque não tenho outra alternativa. Agora eu fico esperto atento para qualquer movimento suspeito. Mas, não tem muito o que fazer. Passa polícia aqui direto, porém os assaltos acontecem diariamente. É torcer para você não ser a próxima vítima", disse Tibério. Ele disse que "não entende" o motivo pelo qual a maioria dos crimes acontecerem tão próximos ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do Estado de São Paulo. "Aqui deveria ser o lugar mais seguro da cidade. O governador não vê o que acontece na vizinhança?", questiona o manobrista. A economista Stephanie Jerg, 42, também já sofreu as consequências da violência de São Paulo. Ela veio da Venezuela trabalhar em São Paulo há cerca de dois anos e disse que não abre mão do carro blindado, apesar de considerar São Paulo mais seguro que Caracas. "Já fui assaltada não muito longe daqui, na região da Cidade Jardim. Levaram a bolsa de uma amiga que estava comigo e eu já atenta deixei as minhas coisas no meu pé. Acho que o perigo maior é quando você está parada no trânsito de carro. Eu também evito de sair a pé. Tenho medo", afirmou Jerg. O tenente-coronel Érico Hammerschmidt não acredita que haja uma nova onda de assaltos na região. De acordo com oficial os números de roubos apontam para uma tendencia de queda. "A sensação das pessoas é de que existe uma insegurança maior, mas os casos estão caindo. (...) no 3º trimestre na comparação com o 2º deste ano a redução foi de 15% no número de roubos e roubos de veículos", disse. Para tentar conter a escalada da violência, 80 novos soldados foram colocados a disposição do batalhão que cuida da área do Morumbi. De acordo com o Hammerschmidt o contingente é permanente e já está atuando desde esta quinta-feira (9).



